No limiar solto das palavras
No limiar solto das palavras, encerro por vezes
o desejo que me cai em cascata pelo
corpo, como labareda a
inflamar a garganta, que se torna seca,
e sem ar.
Na exiguidade concisa de um sonho (rubro e
indizível),
em evidentes sinais de ternura
no beijo que as nossas bocas partilham, resisto
como se as nascentes, virgens, conduzissem as
águas apenas – e só – para o mar.
E quando te vejo em cada nuvem, que por vezes
entenebrece o horizonte, e o meu hálito
faz círculos na janela, o ar que ainda respiro
mantém-se encarcerado no silêncio
das manhãs acinzentadas.
Penso que um dia – muito próximo
pego nas minhas palavras e ponho-as a dormir
contigo
espalhadas pela cama, como se fossem framboesas maduras
e ainda virgens…
.
27 Comentários:
Mas as palavras estão soltas nesse silêncio com que se abre a manhã...
Ás vezes, não é preciso dizer mais nada....
Porque ainda se respira.....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta
palavras soltas, quentes e bonitas.
beijinhos Piedade
Acontece algumas vezes esses pensamentos em cascata se soltarem do nosso interior e correrem sem rumo nem limitação.
Basta amar e deixar que as labaredas queimem a garganta deixando-nos sem espaço e sem ar.
Lindo querida amiga, um poema quente, doce, enleado na saudade e pleno de sentires. Amei de verdade. Beijos com carinho
Tenho dias em que me pergunto, para que servem tantas palavras, se acabo por me rodear de silêncio...
Belo o seu poema, como tudo o que li por aqui!
Um beijo :)
Sónia
Este comentário foi removido pelo autor.
Os sentimentos correm nas palavras soltas
Que se agrupam como pétalas de rosas silvestres...
E das manhãs "acinzentadas" nasce a poesia
Com um sublime odor a framboesas maduras!
Piedade, um beijo muito grande também para si!
Um lindíssimo poema...gostei muito!
Soltas
porque não se prendem
nem as palavras
Num poema lindo, uma imagem final completamente sedutora!
Um poema de amor, mas também (e talvez principalmente) de carinho.
Porque gostar de conversar na cama é um acto de imenso carinho.
E o poema, como não pdia deixar de acontecer, é excelente.
Piedade, querida amiga, tem um bom resto de semana.
Beijo.
Eis uma bela canção de amor... que vagueia pelo limiar solto das palavras. Bom resto de semana, amiga!
Às vezes é mesmo preciso não resistir mais.
Um poema que sabe a promessa - e sabe bem.
Beijinho grande, Piedade
O limiar das palavras leva-me sempre ao afrontamento a brisa nos bosques...
Muito belo, Piedade, com aroma de framboesas!
Beijo :)
As tuas palavras são tão irrestíveis como as framboesas da foto!
Lindo, como sempre!
Beijos
Muito bom!
*
por aqui,
navegam sentimentos,
entre enxurradas cantantes !
,
mil conchinhas, ficam,
*
Lindíssimo, cheio de intensidade e emoção, com gosto a framboesas.
Beijinhos
Pois é... ..quando a inspiração chega aquece e transborda o leito do rio...fartura de framboesas maduras e virgens...prontas a serem desfloradas,mastigadas, salivadas, saboreadas...trincadas...esticadas...e tudo o mais ...que fica por dizer...
Beijo
Tão linda a imagem quanto a visão do amor que se desprende das palavras...
Beijos
framboesas...
numa cama
um casal...
maduras
virgens...
numa manhã de acordar...
abrazo serrano
Sereno...magnífico...com um final doce...como só doces podem ser os poemas de amor!
Te beijo em azul.
Mãe - é a palavra mais doce
que a natureza criou...
obrigada pelo gesto carinhoso...
um feliz domingo também para si,Piedade! Beijinho!
Gostei particularmente do final.
Um beijinho amigo :)
"Palavras como se fossem framboesas maduras e ainda virgens..."
Certamente ganharão outro sentido, outra chama, as palavras virgens, depois de "desfloradas".
Gostei bastante de ler este poema Piedade.
beijinho
em círculo
da janela a cama e as framboesas doces de palavras
um beijo, Piedade
Lindo! :)
Não sei como descrever mais tão belo poema...
Estava com saudades do seu blog e de ler seus poemas que
me encanta.
Sou apaixonada por poemas e falando de amor dessa forma meu coração bate forte.
Uma linda semana pra si beijos.
Evanir.
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