Escrevi madrugadas inteiras luzidas de noite
enquanto não tive o sol nos meus dedos.
Brinquei com o brilho das estrelas
e com elas bordei mapas de países ignorados
mas as minhas mãos não sabiam
que escrever é apenas uma ironia.
Muitas vezes, foi sobre as folhas
imaculadas que adormeci libelinha.
Outras vezes sobre gatafunhos
letras minhas
apesar disso inexplicáveis.
.
O tempo passou e hoje
não sonho
nem escrevo
sobre países que ainda não conheço
porque eu queria escrever sobre o meu país
e não consigo, assaltam-me as brumas
da incerteza
do medo
que nunca experimentei nos meus dedos.
E é sob os beijos deste sol
num mar de carícias azuis compassivas
mas às mãos de madrugadas inteiras
cada vez mais luzidas de noite
que me interrogo se serei louca
ao escrever, afinal, que ainda amo este País.
.
© Piedade Araujo Sol 2010-04-03.